Operação Torniquete: Facção usava estandes de tiro em Guapimirim para abastecer arsenal do tráfico
Polícia

Operação Torniquete: Facção usava estandes de tiro em Guapimirim para abastecer arsenal do tráfico

O que parecia ser apenas o comércio legalizado de armas e a prática de tiro esportivo no interior do estado era, na verdade, uma engrenagem sofisticada para abastecer o quartel-general de uma das maiores facções criminosas do Rio de Janeiro.

Foi o que revelou a Operação Torniquete, deflagrada de forma conjunta pelas secretarias de Polícia Civil e Polícia Militar, com apoio do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. A ofensiva desarticulou uma rede de tráfico de armas que utilizava cidades como Guapimirim e Itaboraí como bases logísticas de lavagem do arsenal.

Agentes das forças de segurança em operação
Foto: ASCOM / SESP RJ - Governo do Estado do Rio de Janeiro

Como funcionava o esquema em Guapimirim

Segundo as investigações, a quadrilha montou uma estrutura para burlar a fiscalização e conseguir armamento de grosso calibre de forma aparentemente legal.

Para isso, os criminosos utilizavam “laranjas” e documentação fraudada para adquirir armamento em lojas e estandes de tiro legalizados situados em Guapimirim e Itaboraí. Após a compra, registravam falsos boletins de ocorrência de “roubo” ou “perda”. O armamento, então, descia a serra direto para as mãos dos traficantes.

Além da fraude nas lojas fluminenses, os agentes apreenderam durante a operação peças de fuzis desmontados, carregadores estendidos e roupas táticas que o grupo importava clandestinamente para montar o arsenal nas comunidades.

O destino e o financiamento do crime

O destino final de todo esse material bélico era o Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. De acordo com o secretário de Estado de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, a comunidade se tornou a base operacional do Comando Vermelho.

“É de lá que saem ordens das lideranças para a prática de roubos de veículos e roubos de cargas, principalmente na capital e na Região Metropolitana. São eles que fomentam esses tipos de roubos”, afirmou o secretário.

O roubo de cargas e de carros de luxo servia justamente para alimentar a “caixinha” da facção, financiando a compra das armas em Guapimirim e pagando a “mesada” de parentes de criminosos presos.

Balanço Oficial da Operação

Com o cumprimento de 114 mandados de busca e apreensão, a força-tarefa — que envolveu unidades especializadas como a DRFA, a CORE e o BOPE — aplicou um duro golpe contra a logística da facção. O balanço atualizado da operação registrou:

  • 13 pessoas presas preventivamente.
  • 23 veículos roubados recuperados.
  • Mais de 1 tonelada de drogas apreendida (ação conduzida pelo Batalhão de Ações com Cães - BAC).
  • Desmonte de uma central de crimes financeiros e de um laboratório de refino de entorpecentes.

A Polícia não divulgou os nomes dos estandes de tiro e das lojas fiscalizadas em Guapimirim para não atrapalhar os desdobramentos das investigações, que buscam identificar empresários e despachantes coniventes com o esquema.

(Com informações oficiais da SESP-RJ).

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