O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu um passo decisivo nesta quarta-feira para resgatar um dos maiores patrimônios arquitetônicos e ferroviários do país. O banco iniciou oficialmente os estudos técnicos para a requalificação urbana da área da Estação Leopoldina (Estação Barão de Mauá), localizada no centro do Rio de Janeiro.
O projeto prevê a transformação completa do imenso complexo — que hoje se encontra em estado de abandono — integrando preservação do patrimônio histórico, construção de novas moradias, equipamentos culturais e integração com o sistema de transporte da capital.
Mas o que uma obra no centro do Rio tem a ver com a nossa cidade? A resposta está nos trilhos que cortam os nossos bairros todos os dias.
A ligação histórica com Guapimirim e Saracuruna
Para o passageiro que hoje embarca nas estações de Guapimirim, Parada Ideal ou Magé, o destino final na capital é a Central do Brasil (após a baldeação obrigatória em Saracuruna). No entanto, nem sempre essa foi a rota original da nossa ferrovia.
O Ramal Guapimirim e a linha de Saracuruna são heranças diretas e vivas da gigantesca Estrada de Ferro Leopoldina. Durante as eras de ouro da ferrovia no Brasil, os trens que partiam da nossa região e cruzavam a Baixada Fluminense tinham como destino final exato as suntuosas plataformas da Estação Barão de Mauá.
A Leopoldina era a “casa” dos trens de Guapimirim. A desativação da estação nas últimas décadas forçou o desvio de todo o fluxo de passageiros da nossa região para a malha da Central do Brasil, deixando o antigo terminal entregue à deterioração.

O que prevê o projeto do BNDES?
O acordo, costurado em parceria com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e a Prefeitura do Rio, busca não apenas reformar o prédio histórico, mas revitalizar todo o seu entorno. Os estudos técnicos vão definir:
- Restauração do Prédio Principal: Recuperação da fachada e do saguão monumental da Estação Barão de Mauá para fins culturais e comerciais.
- Habitação: Utilização dos terrenos ociosos no entorno do complexo para a construção de moradias populares e de classe média, aproximando a população do centro.
- Polo de Mobilidade: Reintegração da área com sistemas modernos de transporte, incluindo o VLT e possíveis novas conexões.
Um novo capítulo para as ferrovias
A notícia da revitalização da Leopoldina chega em um momento de efervescência para a mobilidade do estado. Como acompanhamos no emguapi.com, a operação dos nossos trens está passando por uma transição histórica com a saída da SuperVia e a chegada da Nova Via Mobilidade.
Resgatar a Estação Leopoldina é resgatar uma parte fundamental da memória de Guapimirim. A expectativa agora é que os estudos do BNDES tragam uma destinação à altura da importância que esse terminal teve para o desenvolvimento de toda a Baixada Fluminense.