Os dias de chuvas intensas em Guapimirim, que começaram com pancadas isoladas na última quarta-feira (18) em pontos como o Monte Olivette, culminaram em um final de semana de transtornos generalizados para a população. Neste domingo, o cenário em diversos bairros da cidade expõe as fragilidades da infraestrutura local diante de temporais.
Regiões como Paiol, Segredo, Quinta Mariana, Parque Santo Antônio, Jardim Guapimirim e Bananal enfrentaram alagamentos severos. Mais do que o volume pluviométrico, os moradores apontam que a falta de planejamento urbano e a ausência de serviços básicos estão transformando as chuvas de verão em verdadeiros pesadelos.
Obras de asfaltamento sob suspeita no Bananal
No bairro Bananal, a moradora Thais Gualandi usou as redes sociais para questionar a eficácia das recentes obras de pavimentação realizadas pela Prefeitura na Estrada do Bananal. Segundo ela, a elevação do solo com o novo asfalto, sem um sistema de drenagem eficiente, fez com que a água descesse com força e acumulasse rapidamente nas ruas mais baixas.
‘Poderia nos informar ou publicar o planejamento de pavimentação asfáltica da rua de cima? Como os estudos topográficos? Sondagem do solo? Tem descido bastante água da estrada do Bananal após a subida do solo com o novo asfalto. Entendo que deve ter chovido muitos milímetros, porém dessa vez eu vi que a rua encheu bem mais rápido que das outras vezes’, relatou Thais, destacando que mesmo após a chuva parar, o nível da água não baixava.

Raio atinge CIEP e aulas são suspensas no Parque Santo Antônio
Os impactos do temporal também atingiram a rede de educação do município. No bairro Parque Santo Antônio, a Escola Municipal Professora Acácia Leitão Portella (conhecida como CIEP/Brizolão) teve seu transformador atingido por um raio durante a tempestade de sábado (21).
Apesar dos reparos iniciados pelas equipes da concessionária ENEL, a energia da unidade não será restabelecida a tempo. Como consequência, as aulas desta segunda-feira (23) foram suspensas e, até o momento, a direção da escola não informou uma data oficial para a retomada das atividades, deixando pais e alunos apreensivos. Assista ao comunicado no vídeo abaixo:
Efeito Dominó: Lixo acumulado e torneiras secas
Como se não bastasse a invasão das águas, Guapimirim enfrenta outros dois colapsos simultâneos que pioram os efeitos das chuvas: a irregularidade na coleta de lixo e a falta de água encanada, que em alguns pontos já dura três dias.
O acúmulo de resíduos nas ruas tem sido um dos principais responsáveis pelo entupimento de bueiros e valões, impedindo o escoamento da água e aumentando o risco de proliferação de doenças. Nas redes sociais, o tom dos moradores é de revolta e ironia com as prioridades da gestão municipal, especialmente com a proximidade dos festejos de Carnaval.
‘Guapimirim é a terra do Peter Pan. Falta coleta de lixo, falta água… mas não falta festa’, ironizou a moradora Marisete Lacerda.
A revolta com a falta de água para limpar as casas após as enchentes também gera indignação contra a empresa responsáveis pelo abastecimento, a Fontes da Serra. A moradora Adriana Pereira expôs a frustração coletiva de quem paga a conta, mas não recebe o serviço:
‘Cadê a água? Entra ano e sai ano, é essa palhaçada! Empresa incompetente. E não adianta dizerem: ‘Ah, se sabe que acontece isso todo ano, por que já não fez poço?’. Porque a população não é obrigada a fazer poço. Nós pagamos por um serviço que é obrigação dessa empresa prestar’, desabafou.
Guapimirim não é a única cidade da Baixada Fluminense a enfrentar chuvas forte, pontos de alagamentos e inundações, Magé, Duque de Caxias e Nova Iguaçu ainda permanecem em Estagio 2.
O emguapi.com continuará acompanhando a crise no abastecimento de água e as falhas na coleta de lixo em Guapimirim ao longo da semana, cobrando respostas das autoridades e concessionárias responsáveis.