A narrativa oficial da Prefeitura de Guapimirim vem esbarrando diariamente numa barreira implacável: a câmara do telemóvel dos próprios moradores. Nas últimas semanas, uma avalanche de denúncias nas redes sociais tem exposto um verdadeiro apagão nos serviços básicos do município, afetando desde a recolha de lixo até emergências obstétricas.
O portal emguapi.com reuniu os principais relatos que mostram como a população tem assumido o papel de fiscalizar e cobrar a gestão da prefeita Marina Rocha.
”Não quero festas, quero saúde”: O colapso no Hospital Municipal
O estopim recente da revolta com a saúde pública começou com o longo e detalhado desabafo do morador Álvaro Júnior. Em publicação, ele relatou ter enfrentado horas de espera no hospital da cidade, presenciando médicos a abandonar o plantão e um sistema que classificou como “de envergonhar”.
Destacando que o governo “estagnou e vive de aparências”, Álvaro cravou uma frase que virou o símbolo da indignação local: “Eu não quero festas, não quero carnaval. Eu quero saúde e segurança”. Ele denunciou ainda o “verdadeiro jogo de empurra, onde um setor joga a responsabilidade para o outro”.
A fala de Álvaro ganhou ainda mais força com vídeos que circulam nas redes (como o Reel abaixo), comprovando as falhas na gestão e o cansaço da população com a chamada “maquiagem” institucional:
Como se a espera interminável não bastasse, a crise na saúde atingiu um limite alarmante: uma adolescente de 16 anos, em trabalho de parto prematuro, precisou ser socorrida por um carro de aplicativo (Uber) pago pelo próprio médico plantonista para conseguir dar à luz em Teresópolis. O Hospital Municipal alegou falta de estrutura para o parto e, de forma gravíssima, revelou não ter nenhuma ambulância funcionando para a transferência.
Lixo, buracos e abandono nos bairros
Fora das unidades de saúde, o cenário nas ruas segue o mesmo roteiro de descaso. O morador Renato Batista não poupou palavras para cobrar o Executivo, apontando que a Prefeitura costuma culpar a população pela sujidade, enquanto falha em realizar a limpeza básica.
“A rua já está um caos, cheia de lixo, buracos e mato, e a prefeitura não faz a parte dela. Como é que faz? Depois dizem que o povo é ‘porco’ e não tem cuidado. Prefeita, faça a sua parte antes de cobrar dos outros o que a senhora não faz”, relatou Renato num grupo local.
Assista ao desabafo de Renato Batista:
A queixa de Renato reflete a realidade do Sítio Taba Marajuara. Em outro vídeo enviado por moradores da Rua J, o acúmulo de lixo é assustador. O cidadão mostra a lixeira da sua residência abarrotada, com sacos pendurados pelo muro, e afirma que o camião de recolha de lixo não passa no local desde antes do Carnaval.
“Como é que eu vou fazer com esse lixo? Eu tiro daqui, jogo no meio da rua? Eu não quero jogar na rua”, desabafou o morador, finalizando com um recado direto: “Faça a sua parte, prefeita. Não espere o dia da eleição, não.”
Veja a situação no Sítio Taba Marajuara:
O portal emguapi.com reitera o seu compromisso inegociável de dar voz aos guapimirienses. O espaço está aberto para que a Prefeitura de Guapimirim, a Secretaria de Saúde e os responsáveis pela limpeza urbana apresentem explicações concretas sobre a falta de ambulâncias, a ausência de médicos nos plantões e a paralisação da recolha de lixo em diversos pontos do município.
A sua voz importa. Se a sua rua ou bairro também está a sofrer com o abandono do poder público, envie o seu relato através da nossa página de Denúncias.