O cenário de abandono, escuridão e medo que dominou o sistema ferroviário do Rio de Janeiro nos últimos anos parece ter encontrado um ponto final — ou, pelo menos, um forte sinal de mudança. A Nova Via Mobilidade assumiu oficialmente a operação dos trens e, já na sua primeira madrugada de trabalho neste domingo (1º de março), impôs um verdadeiro choque de ordem nas estações.
Para o trabalhador de Guapimirim e da Baixada Fluminense que utiliza o sistema diariamente e faz baldeação nos grandes terminais da capital, a diferença foi gritante logo nas primeiras horas.
Luz, agentes e dignidade em São Cristóvão e Maracanã
As estações de São Cristóvão, Maracanã e Mangueira/Jamelão amanheceram com um esquema de segurança e iluminação ostensivo. Um dos maiores símbolos desse resgate da ordem ocorreu na estação de São Cristóvão: pela primeira vez em anos, o caixa eletrônico do Banco 24 Horas passou a funcionar realmente 24 horas por dia a parti já da 00h00 de hoje, com a presença de um agente de segurança exclusivo guardando o equipamento e garantindo a tranquilidade dos passageiros.
A fiscalização também tomou conta das plataformas. Agentes de controle da nova concessionária foram vistos patrulhando não apenas as áreas de embarque, mas também a passarela de conexão com o Maracanã. Hoje desativada, essa estrutura interliga as duas estações através de uma extensa plataforma contínua de aproximadamente 800 metros, que durante muito tempo serviu de abrigo para usuários de drogas e furtos de cabos sob a gestão da antiga SuperVia. Nesta madrugada, o trecho estava vigiado.
O “milagre” do Jacarezinho: até o tráfico recuou
O reflexo mais impressionante dessa nova postura operacional, no entanto, foi registrado na estação do Jacarezinho, rota obrigatória para muitos passageiros do Ramal Belford Roxo e do trecho de Saracuruna.
Historicamente marcada pela invasão da linha férrea, a estação do Jacarezinho não registrou nenhuma movimentação de pessoas não autorizadas andando pelos trilhos ou pelas plataformas durante a madrugada. A iluminação do local foi drasticamente reforçada, transformando o ambiente.
O impacto da presença ostensiva da Nova Via Mobilidade extrapolou os muros da estação e afetou diretamente o crime organizado local. Logo após a estação, na primeira esquina, funciona uma conhecida boca de fumo apelidada de “Boca da Praça”. O local, que geralmente fica lotado de barracas e farta venda de entorpecentes à luz do dia e da noite, desapareceu.
Por volta das 3h da manhã desta primeira madrugada de operação ferroviária, o emguapi.com apurou que não se via nenhuma movimentação ou banca armada para a venda de drogas nos arredores da via férrea. O tráfico, pelo menos nesta primeira noite, recuou diante da organização do sistema.
Expectativa para o Ramal Guapimirim
Se o padrão de excelência, segurança e iluminação imposto na capital for mantido e estendido para a Baixada Fluminense, os moradores de Guapimirim finalmente poderão voltar a usar os trens com dignidade.
A população agora aguarda ansiosamente para ver como a Nova Via Mobilidade vai tratar a nossa ponta da linha férrea, especialmente em relação à oferta de horários e à manutenção das estações locais, que sofreram com o abandono total nos últimos anos.