O Ramal Guapimirim, um dos trechos ferroviários mais estratégicos e com maior potencial turístico da Baixada Fluminense, deverá passar por uma etapa decisiva de modernização ao longo de 2026. O projeto de requalificação, discutido há anos por usuários e especialistas em mobilidade urbana, começa a ganhar contornos reais com a promessa de transformar a experiência do passageiro que hoje sofre com as antigas locomotivas a diesel.
A grande novidade nas mesas de negociação entre a Secretaria de Estado de Transportes e a concessionária é a renovação da frota com tecnologia 100% nacional.
A Revolução: VLT Prosper da Marcopolo
A principal aposta técnica para o trecho Saracuruna-Guapimirim é o VLT Prosper, desenvolvido pela Marcopolo Rail, divisão metroferroviária da gigante brasileira de ônibus sediada em Caxias do Sul (RS).
Diferente das adaptações feitas no passado, o Prosper é um veículo nascido para este tipo de operação. Trata-se de um Light Train (Veículo Leve sobre Trilhos) projetado especificamente para rotas regionais e intercidades em vias não eletrificadas — exatamente o caso da nossa linha.
Por que esse modelo é o ideal?
Especialistas apontam que o modelo da Marcopolo resolve três problemas crônicos de Guapimirim:
- Manutenção Ágil: Por ser fabricado no Brasil e compartilhar componentes com a indústria de ônibus (onde a Marcopolo é líder), a reposição de peças é rápida e barata, evitando que trens fiquem parados por meses aguardando importação.
- Conforto Térmico e Acústico: O isolamento do Prosper é superior, garantindo a eficiência do ar-condicionado mesmo no verão de 40ºC da Baixada, além de ser silencioso.
- Turismo: Com janelas panorâmicas, o veículo valoriza a paisagem da Serra dos Órgãos, podendo atrair turistas nos fins de semana, além dos passageiros regulares.
O modelo em discussão possui propulsão a diesel de baixa emissão (padrão Euro 6) ou híbrida, podendo atingir velocidades operacionais compatíveis com a via férrea local, reduzindo o tempo de deslocamento.
Negociações e Infraestrutura
Segundo fontes do setor, a intenção é adquirir inicialmente três composições de até quatro carros cada. Isso permitiria uma operação em carrossel mais eficiente, garantindo sempre um trem reserva em caso de manutenção.
A chegada das novas máquinas, porém, exige a contrapartida da infraestrutura. O pacote de obras para 2026 prevê:
- Revitalização das estações: Reformas estruturais em Magé, Suruí e Parada Modelo.
- Acessibilidade: Instalação de rampas e pisos táteis para nivelar o embarque, já que o VLT pode ter piso baixo ou alto (adaptável à plataforma).
- Sinalização: Modernização dos sistemas para permitir que os trens circulem com segurança em velocidades maiores na via singela.
Se confirmado, o projeto colocará Guapimirim na vanguarda do transporte ferroviário regional no estado.
Com informações da Agência Brasil e Secretaria de Estado de Transportes (Setram)