Um problema crônico que parece não ter fim volta a castigar os moradores de Guapimirim: o colapso no abastecimento de água. Em meio a dias de calor intenso e logo após as enchentes que exigem limpeza redobrada das casas, diversas regiões relatam estar com as torneiras completamente secas há mais de três dias.
A interrupção prolongada do serviço reacende o debate sobre a eficiência da infraestrutura de saneamento básico na cidade e a responsabilidade direta da concessionária Fontes da Serra, que opera o sistema local. Nas redes sociais e grupos de mensagens, campanhas de mobilização ganham força destacando os impactos severos do desabastecimento: famílias inteiras prejudicadas e comércios afetados.
O lema que ecoa nas manifestações digitais é claro: “Água é necessidade básica, não é favor! Guapimirim exige resposta e solução imediata!”
A moradora Adriana Pereira resumiu o sentimento de frustração de milhares de cidadãos em uma publicação de grande repercussão. Em seu desabafo, ela rebate o argumento recorrente de que a população deveria construir poços artesianos para se precaver, transferindo a responsabilidade para a concessionária.
“Cadê a água? Entra ano e sai ano, é essa mesma palhaçada. Empresa incompetente! Não adianta dizerem: ‘Ah, se sabe que acontece isso todo ano, por que já não fez poço?’. A resposta é simples: a população não é obrigada a fazer poço, pois nós pagamos por um serviço que é obrigação dessa empresa prestar, e não é o que acontece”, cravou a moradora.
O que diz a concessionária Fontes da Serra
Diante da pressão popular, a Fontes da Serra utilizou suas redes sociais oficiais para emitir um comunicado aos consumidores. A empresa justificou que o problema no abastecimento está diretamente ligado aos temporais que atingiram a cidade.
Segundo a nota, as chuvas intensas provocaram o arraste de sedimentos para os mananciais, aumentando o nível de turbidez (água barrenta) nos rios onde é feita a captação.
“A Concessionária segue monitorando continuamente a qualidade da água e adotando todas as medidas necessárias para garantir a segurança do abastecimento. Todo o processo atende rigorosamente à Portaria GM/MS nº 888/2021, que estabelece os procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água, assegurando que a turbidez permaneça dentro do padrão de potabilidade (5,0 NTU)”, informou a empresa em seu perfil no Instagram.
A raiz do problema: Falta de investimentos estruturais
A nota da concessionária, embora técnica, acaba reforçando a principal reclamação da população: a falta de modernização do sistema e a ausência de grandes reservatórios de água tratada.
Como o município capta água diretamente dos rios, qualquer alteração brusca causada por chuvas na serra obriga a empresa a interromper a distribuição para não enviar água barrenta às torneiras. Se houvesse reservatórios com capacidade suficiente para manter a cidade abastecida durante esses dias de pico de chuva, as torneiras não secariam tão rápido.
“Acontece há anos, né? Pois já foi tempo suficiente para tomarem vergonha na cara e terem feito reservatórios”, complementou Adriana, expondo a urgência de investimentos estruturais em vez de soluções paliativas.
Enquanto soluções definitivas não são executadas, os moradores seguem reféns do clima: torcendo pela chuva para ter água nos rios, mas torcendo para que não chova forte demais a ponto de paralisar as estações de tratamento.
O portal emguapi.com continuará acompanhando os desdobramentos da crise hídrica e cobrando transparência sobre os planos de contingência e investimentos em reservatórios para o município.