Exclusivo: Prefeitura de Guapimirim foi a verdadeira responsável por paralisar os trens no Carnaval
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Exclusivo: Prefeitura de Guapimirim foi a verdadeira responsável por paralisar os trens no Carnaval

28 de fevereiro de 2026 | Por Equipe emguapi

Durante o feriado de Carnaval, milhares de trabalhadores que precisaram se deslocar para o Rio de Janeiro encontraram as estações do Ramal Guapimirim de portas fechadas. O que parecia ser mais uma falha operacional da SuperVia, na verdade, teve um mandante com endereço certo: a própria Prefeitura de Guapimirim.

O emguapi.com teve acesso exclusivo ao documento SPV-Carta nº 0646/2026-DM, assinado no dia 12 de fevereiro de 2026 pela diretoria da SuperVia e endereçado ao Governo do Estado (SETRAM) e à AGETRANSP.

O texto é claro e não deixa dúvidas: a paralisação temporária da operação ferroviária foi uma resposta direta ao ofício n° 6/2026, enviado pela Secretaria de Segurança e Trânsito do Município de Guapimirim (DEMUTRAN).

“Após análise das condições de segurança apontadas […] esta Concessionária informa que não se opõe ao atendimento à solicitação do Município.” — Trecho oficial da carta da SuperVia.

A concessionária acatou o pedido da Prefeitura e iniciou a suspensão das viagens no dia 14 de fevereiro, deixando a população sem o seu principal meio de transporte no auge do feriadão.

Documento Oficial na Íntegra

Leia a carta da SuperVia que comprova que a solicitação de interrupção partiu da Secretaria de Segurança e Trânsito de Guapimirim.

Ver Documento Original

A conta sobrou para o trabalhador

É inegável que o Carnaval de Guapimirim bateu recorde de público e que a Prefeitura precisava traçar planos de segurança para evitar acidentes com os foliões no Centro da cidade. No entanto, a solução encontrada pelo Executivo municipal puniu severamente quem não estava pulando o Carnaval: o trabalhador.

Ao solicitar o corte dos trens, a Prefeitura retirou da população a única alternativa de transporte com a Tarifa Social de R$ 5,00. Sem um “plano B” ou ônibus fretados pelo município para suprir a demanda, o cidadão guapimiriense foi empurrado obrigatoriamente para as vans e ônibus intermunicipais.

Como o emguapi.com vem denunciando, os recentes e abusivos aumentos nas passagens transformaram uma simples ida ao trabalho num rombo no orçamento familiar. A segurança da folia foi bancada com o suor e o dinheiro de quem precisou de ir trabalhar no feriado.

Efeito dominó: Magé e Duque de Caxias afetados

O que a Secretaria de Trânsito de Guapimirim parece ter esquecido ao fazer o ofício é que o Ramal Guapimirim não atende apenas a nossa cidade. Ele é uma artéria vital para toda a região.

A decisão local gerou um efeito dominó desastroso. Moradores de Magé (em estações como Magé, Suruí, Santa Dalila) e de Duque de Caxias (Parque Estrela e Saracuruna) também acordaram sem comboio (trem), reféns de tarifas caríssimas para chegar à capital. Uma decisão isolada de Guapimirim prejudicou o direito de ir e vir de milhares de cidadãos em outras duas grandes cidades da Baixada Fluminense.

Transparência em falta

Em nenhum momento antes do feriado a Prefeitura de Guapimirim veio a público explicar aos trabalhadores que a interrupção da circulação do Ramal Guapimirim era um pedido oficial do município por questões do evento. A falta de transparência deixou a população perdida nas plataformas e com a carteira vazia nas rodoviárias.

O emguapi.com reitera o seu compromisso com a verdade. O espaço está aberto para que a Secretaria de Segurança e Trânsito (DEMUTRAN) ou a Prefeitura de Guapimirim apresentem as suas justificativas e, principalmente, expliquem por que não ofereceram transporte alternativo aos trabalhadores durante a paralisação que eles mesmos solicitaram.

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