O roteiro se repete em Guapimirim. A SuperVia anunciou que, entre os dias 14 e 18 de fevereiro, a extensão Guapimirim do sistema de trens não terá circulação. A justificativa oficial para a paralisação são as “programações de Carnaval”, e a promessa é que a operação seja normalizada apenas na quinta-feira, dia 19 de fevereiro.
Para os moradores de Guapimirim e Magé, a notícia não chega como surpresa, mas como mais um capítulo de descaso. Historicamente, a concessionária tem o hábito de utilizar o período de feriados prolongados para paralisar o ramal. Em anos anteriores, a desculpa mais comum era a necessidade de “manutenções preventivas” — que, na prática, raramente resultaram em melhorias perceptíveis na via férrea, nas estações ou nas composições.
Para muitos, a suspensão é apenas uma manobra para reduzir custos operacionais em dias de menor movimento, deixando a população à própria sorte.
O impacto no bolso do trabalhador
Enquanto a folia acontece na capital e em outras partes do estado com direito a trens extras e esquemas especiais na Central do Brasil, muitos moradores da Baixada Fluminense continuam trabalhando normalmente durante o Carnaval, especialmente no comércio e nos serviços básicos.
Sem o trem, que permite a integração com o restante da malha ferroviária e tem uma tarifa mais acessível, os trabalhadores são obrigados a recorrer aos ônibus intermunicipais. Dependendo do destino, o gasto com passagens de ônibus pode mais que dobrar o custo diário de transporte, afetando diretamente o orçamento familiar, sem contar o tempo extra de viagem no trânsito das rodovias.
Revolta nas redes sociais
Nas redes sociais, a paciência dos usuários já se esgotou. A indignação é visível em grupos e páginas locais de Guapimirim, onde moradores expõem o contraste entre as promessas da SuperVia e a realidade do serviço.
“Sempre a mesma historinha. Eles cortam o nosso trem no feriado, falam que é manutenção ou ajuste de Carnaval, mas na verdade só não querem gastar combustível. Enquanto isso, quem trabalha que se vire pra pagar passagem cara de ônibus.” — reclamou um usuário.
“É um absurdo. Eles isolam a nossa região justo quando a gente poderia usar o trem pra ir pro Rio passear com a família no feriado. A SuperVia só lembra que existe Guapimirim na hora de cobrar a passagem.” — desabafou outra moradora.
A interrupção do Ramal Guapimirim escancara a desigualdade no tratamento dado aos passageiros das extensões a diesel em comparação aos ramais elétricos. Por aqui, o “bloco” que desfila na avenida é, mais uma vez, o do abandono.