AGETRANSP conclui que SuperVia não conseguiu recuperar o Ramal Guapimirim antes de deixar a operação
Transporte

AGETRANSP conclui que SuperVia não conseguiu recuperar o Ramal Guapimirim antes de deixar a operação

11 de junho de 2026 | Por Equipe emguapi

A SuperVia encerrou sua trajetória à frente dos trens metropolitanos do Rio de Janeiro sem conseguir cumprir uma determinação da Agência Reguladora dos Transportes do Estado (AGETRANSP) para recuperar o Ramal Guapimirim.

Parecer jurídico emitido pela Procuradoria da AGETRANSP em 8 de junho de 2026 concluiu que, apesar de avanços pontuais e obras realizadas ao longo dos últimos meses, o ramal não foi restituído às condições normais de funcionamento e conservação exigidas pela agência reguladora.

O histórico da cobrança e o prazo ignorado

O processo teve início em agosto de 2024, quando a AGETRANSP abriu procedimento específico para apurar os problemas da linha e determinou que a concessionária apresentasse um plano de recuperação do trecho. Além disso, a empresa deveria devolver o ramal às condições adequadas de operação em um prazo máximo de 180 dias.

A SuperVia apresentou o plano dentro do prazo exigido. Entretanto, segundo a análise da Procuradoria da AGETRANSP, o cronograma da própria concessionária previa a conclusão integral das melhorias apenas no fim de 2025, ultrapassando significativamente o limite estabelecido pelo órgão regulador.

O raio-x do abandono: o que os fiscais encontraram

Durante as fiscalizações realizadas ao longo do processo, técnicos identificaram uma série de problemas em estações, paradas ferroviárias e na própria infraestrutura da via. Entre as irregularidades encontradas estavam:

  • Armaduras expostas com sinais de corrosão;
  • Rachaduras estruturais e problemas de drenagem;
  • Falhas de acessibilidade e iluminação inadequada;
  • Desgaste de componentes da ferrovia e vegetação invasiva;
  • Deficiências que poderiam impactar a segurança operacional e a integridade dos usuários.

As inspeções realizadas nas paradas Jardim Nova Marília, Jororó, Parada Ideal e Jardim Guapimirim apontaram que diversas patologias estruturais continuavam presentes mesmo após a apresentação do plano de melhorias.

Embora a agência reconheça que intervenções foram realizadas e que houve evolução em relação ao cenário encontrado inicialmente, o parecer destaca que diversas não conformidades permanecem sem solução definitiva.

A conclusão da Procuradoria é clara: os elementos técnicos analisados não permitem afirmar que o Ramal Guapimirim foi efetivamente recuperado conforme determinado pela AGETRANSP.

A herança para a nova operadora

A decisão ganha ainda mais relevância porque foi emitida poucos dias após a transferência da operação ferroviária para a TrensRJ, nova permissionária dos trens metropolitanos do estado. Agora, caberá ao Conselho Diretor da AGETRANSP definir como as pendências identificadas durante a gestão da SuperVia serão acompanhadas junto à nova operadora.

Para os passageiros, o parecer representa uma confirmação oficial daquilo que muitos relatavam há anos: os problemas do Ramal Guapimirim não eram apenas uma percepção dos usuários, mas uma realidade reconhecida pelo próprio órgão regulador do transporte ferroviário fluminense.

A saída da SuperVia encerra um ciclo. Mas os desafios deixados para trás continuam sobre os trilhos e passam agora para a responsabilidade da TrensRJ.

Espaço Publicitário