Passagem mais cara, ônibus sucateado: confira os novos valores das linhas em Guapimirim e região
Mobilidade

Passagem mais cara, ônibus sucateado: confira os novos valores das linhas em Guapimirim e região

16 de fevereiro de 2026 | Por Equipe emguapi

Os usuários do transporte público intermunicipal de Guapimirim e municípios vizinhos foram surpreendidos com a nova tabela de preços das passagens. O reajuste tarifário já está em vigor, mas a atualização nos letreiros não se refletiu na qualidade do serviço prestado à população.

Fila de passageiros aguardando para embarcar no ônibus da linha 196C - Guapimirim no terminal Américo Fontenelle, na Gamboa.
Passageiros enfrentam fila para embarcar na linha 196C no Terminal Américo Fontenelle, no Centro do Rio. (Foto: Cyro Neves / Super Rádio Tupi)

Aumento de tarifa, queda na qualidade

Se o valor para ir ao Rio de Janeiro ou até mesmo dentro da própria Baixada subiu, o conforto parece ter ficado na garagem. Passageiros relatam diariamente ao emguapi.com que o aumento não representa melhoria nos veículos. Pelo contrário: muitas linhas operam com frotas visivelmente sucateadas, como mostra o flagrante abaixo.

A principal queixa envolve o calor extremo. É comum encontrar ônibus intermunicipais rodando com o ar-condicionado quebrado — ou veículos que sequer possuem o equipamento —, obrigando os passageiros a enfrentarem viagens de mais de uma hora em condições insalubres. Bancos molhados, infiltrações, baratas, sujeira e atrasos completam o pacote de frustrações de quem paga caro para se deslocar diariamente até o trabalho na capital.

O drama de uma cidade sem rodoviária

O aumento nas passagens reacende um debate crônico: a infraestrutura urbana. Guapimirim, que tem vocação turística e atrai milhares de visitantes anualmente, ainda não possui um terminal rodoviário.

Sem uma rodoviária estruturada, os passageiros são obrigados a aguardar os ônibus em pontos de rua expostos ao sol, à chuva e à insegurança. A ausência de um terminal digno contrasta diretamente com as tarifas cobradas, como a linha para o Castelo (Rio de Janeiro), que agora ultrapassa a marca dos trinta reais.

Confira os novos valores atualizados

Abaixo, detalhamos os novos preços das principais linhas que atendem Guapimirim, Magé e Teresópolis, operadas por diferentes viações:

Viação Reginas:

  • 195C: Guapimirim x Central – R$ 20,25
  • 2195C: Guapimirim x Castelo – R$ 32,10
  • 576i: Guapimirim x Duque de Caxias – R$ 10,40
  • (Trecho): Guapimirim x Imbariê – R$ 6,70
  • 800i: Magé x Caneca Fina – R$ 9,10
  • 810i: Magé x Vale das Pedrinhas – R$ 6,70

Viação Teresópolis:

  • MS11: Teresópolis x Guapimirim – R$ 10,75
  • Teresópolis x Magé – R$ 18,80

Expresso Rio de Janeiro:

  • 121Q: Niterói x Magé (Via Itambi) – R$ 15,95
  • 511Q: Niterói x Imbariê (Via Magé e Piabetá) – R$ 15,10

A falta de investimento

Passageiros aguardando ônibus em ponto sem cobertura na Quinta Mariana
Aumento de preço, zero investimento: passageiros esperam os ônibus em locais improvisados.

Se aumentam os preços e faltam investimentos, o problema fica ainda maior quando os passageiros são obrigados a esperar pelos ônibus por horas debaixo de sol e chuva. Desde a redução da frota realizada durante a pandemia, linhas importantes foram cortadas ou tiveram seus horários drasticamente reduzidos, piorando ainda mais a situação.

Ano eleitoral e o agrado aos empresários

Para piorar o cenário do trabalhador, o reajuste das linhas diretas soma-se ao recente aumento da tarifa do Bilhete Único Intermunicipal (BUI) concedido pelo Governo do Estado. Na prática, quem precisa pegar mais de uma condução e contava com o subsídio para conseguir fechar as contas do mês, também já está pagando a conta dessa inflação do transporte.

O fato de esses aumentos em cascata ocorrerem em pleno ano eleitoral (2026) aprofunda a indignação popular. Para o passageiro que sofre espremido no calor de um ônibus velho, a sensação amarga que fica é uma só: os reajustes tarifários parecem servir muito mais para garantir a margem de lucro e agradar aos empresários do setor de transportes do que para financiar qualquer melhoria real na mobilidade urbana da Baixada Fluminense.

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