Os usuários do transporte público intermunicipal de Guapimirim e municípios vizinhos foram surpreendidos com a nova tabela de preços das passagens. O reajuste tarifário já está em vigor, mas a atualização nos letreiros não se refletiu na qualidade do serviço prestado à população.
Aumento de tarifa, queda na qualidade
Se o valor para ir ao Rio de Janeiro ou até mesmo dentro da própria Baixada subiu, o conforto parece ter ficado na garagem. Passageiros relatam diariamente ao emguapi.com que o aumento não representa melhoria nos veículos. Pelo contrário: muitas linhas operam com frotas visivelmente sucateadas, como mostra o flagrante abaixo.
A principal queixa envolve o calor extremo. É comum encontrar ônibus intermunicipais rodando com o ar-condicionado quebrado — ou veículos que sequer possuem o equipamento —, obrigando os passageiros a enfrentarem viagens de mais de uma hora em condições insalubres. Bancos molhados, infiltrações, baratas, sujeira e atrasos completam o pacote de frustrações de quem paga caro para se deslocar diariamente até o trabalho na capital.
O drama de uma cidade sem rodoviária
O aumento nas passagens reacende um debate crônico: a infraestrutura urbana. Guapimirim, que tem vocação turística e atrai milhares de visitantes anualmente, ainda não possui um terminal rodoviário.
Sem uma rodoviária estruturada, os passageiros são obrigados a aguardar os ônibus em pontos de rua expostos ao sol, à chuva e à insegurança. A ausência de um terminal digno contrasta diretamente com as tarifas cobradas, como a linha para o Castelo (Rio de Janeiro), que agora ultrapassa a marca dos trinta reais.
Confira os novos valores atualizados
Abaixo, detalhamos os novos preços das principais linhas que atendem Guapimirim, Magé e Teresópolis, operadas por diferentes viações:
Viação Reginas:
- 195C: Guapimirim x Central – R$ 20,25
- 2195C: Guapimirim x Castelo – R$ 32,10
- 576i: Guapimirim x Duque de Caxias – R$ 10,40
- (Trecho): Guapimirim x Imbariê – R$ 6,70
- 800i: Magé x Caneca Fina – R$ 9,10
- 810i: Magé x Vale das Pedrinhas – R$ 6,70
Viação Teresópolis:
- MS11: Teresópolis x Guapimirim – R$ 10,75
- Teresópolis x Magé – R$ 18,80
Expresso Rio de Janeiro:
- 121Q: Niterói x Magé (Via Itambi) – R$ 15,95
- 511Q: Niterói x Imbariê (Via Magé e Piabetá) – R$ 15,10
A falta de investimento
Se aumentam os preços e faltam investimentos, o problema fica ainda maior quando os passageiros são obrigados a esperar pelos ônibus por horas debaixo de sol e chuva. Desde a redução da frota realizada durante a pandemia, linhas importantes foram cortadas ou tiveram seus horários drasticamente reduzidos, piorando ainda mais a situação.
Ano eleitoral e o agrado aos empresários
Para piorar o cenário do trabalhador, o reajuste das linhas diretas soma-se ao recente aumento da tarifa do Bilhete Único Intermunicipal (BUI) concedido pelo Governo do Estado. Na prática, quem precisa pegar mais de uma condução e contava com o subsídio para conseguir fechar as contas do mês, também já está pagando a conta dessa inflação do transporte.
O fato de esses aumentos em cascata ocorrerem em pleno ano eleitoral (2026) aprofunda a indignação popular. Para o passageiro que sofre espremido no calor de um ônibus velho, a sensação amarga que fica é uma só: os reajustes tarifários parecem servir muito mais para garantir a margem de lucro e agradar aos empresários do setor de transportes do que para financiar qualquer melhoria real na mobilidade urbana da Baixada Fluminense.
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